Por Raul Pont
A cena foi semelhante. Quem estava em São Bernardo do Campo, em 1991, no 1º Congresso do PT, deve ter sido tomado pela mesma lembrança e emoção. Naquele momento, as mulheres petistas de todas as correntes invadiram o plenário no velho estúdio cinematográfico da Vera Cruz, reverteram a posição majoritária entre os delegados e conquistaram a cota de 30% nas instâncias de direção e representação partidárias.Passados vinte anos, em Brasília, as mulheres de todas as tendências petistas, de novo, ocuparam a frente do plenário, contagiaram os delegados e aprovaram a igualdade de gênero no Partido dos Trabalhadores, para todos os órgãos de direção.
Essa e outras mudanças estatutárias foram o destaque no 4º Congresso do PT. Pela importância das medidas – cota de juventude e étnico-racial, limite de mandatos parlamentares, sustentação financeira pelos filiados, reafirmação da democracia interna, entre muitas outras – e principalmente pelo simbolismo de algumas, o 4º Congresso mostrou que a militância partidária está viva, presente e atenta ao futuro do PT. Nossas tendências internas organizam o debate e se expressam nos momentos congressuais, mas acima delas a militância do PT sabe reconhecer nos momentos difíceis e de crise que medidas podem fortalecer e revigorar o partido. Nesses trinta anos, a base partidária sempre se posicionou na defesa da democracia interna, de suas conquistas históricas e do nosso horizonte socialista.
O saldo orgânico do conjunto de emendas é positivo. O PT inflexiona na direção do partido militante, recupera os organismos setoriais e os orienta no sentido da luta e da ação social. Retoma a ideia inicial de um partido de militância, sobrepondo-se aos meramente eleitorais da tradição partidária brasileira.
















